COMÉDIA | TEATRO

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MATA TEU PAI

Com texto de Grace Passô, o espetáculo “Mata Teu Pai” abriu a programação do Festival Teatro em Movimento em 2018. O projeto, da cia OmondÉ, é a primeira parte de uma trilogia concebida por Inez Viana, diretora da montagem. Na peça, entre expatriados e imigrantes, Medea, interpretada por Debora Lamm, toca em questões como o feminismo e o preconceito. As apresentações aconteceram nos dias 24 e 25 de março no Teatro Sesiminas e contaram com a participação da alunas da oficina conduzida por Inez Viana

O ESPETÁCULO

“Preciso que me escutem!”, diz Medea em sua primeira fala na peça. “Eu não falo muito, é essa febre”. E o jorro sai sobre nossos dias, nossos tempos tristes, onde imperam o retrocesso e a intolerância. Na peça, Medeia encontra mulheres: síria, cubana, paulista, judia, haitiana. Algumas tornam-se suas cúmplices. Decide que quem tem que morrer é Ele, não Ela. “Se vocês tivessem a justiça dentro do coração de vocês, vocês o matariam. Por que vocês não o matam? Por que?”, diz para suas filhas. Para além de um paralelo sobre o mito, Grace Passô recria a sua feiticeira, não só sobre os dias de hoje, mas também sobre a condição da mulher hoje. Medéia é uma protagonista feminina que desafia o amor romântico. Na tragédia de Eurípedes, ela ressignifica o sentimento quando foge com o ser amado, o que fará dela uma estrangeira. Mata o irmão e mais adiante mata seus próprios filhos que tem com Jasão ao se ver traída por ele. A Medéia de Mata Teu Paileva consigo o discurso e angústias do mundo atual. Dar voz a uma personagem milenar será sempre um desafio”, explica Debora Lamm.

 

Com uma ambientação simples, da cenógrafa Mina Quental, um campo minado se desenha no espaço, trazendo toda a sorte de lixo eletrônico, como caixas e mais caixas de carregadores de celular, baterias, teclados de computador, monitores etc. A luz de Nadja Naira e Ana Luzia De Simoni revela formas, rostos, corpos, de forma transversal, criando contradições nas imagens, para que o espectador possa construir junto, se sentindo parte da história. A direção de movimento de Marcia Rubin recria, a partir do coro de senhoras, uma atmosfera onírica, como se elas habitassem apenas o sonho de Medéia. A equipe de criação conta com a direção musical de Felipe Storino, figurinos de Sol Azulay, caracterização de Josef Chasilew e programação visual de Felipe Braga.

Ficha Técnica
Performance: Debora Lamm
Texto: Grace Passô
Direção: Inez Viana
Direção de Produção: Claudia Marques
Participação: AsMeninas da Gamboa
Iluminação: Nadja Naira e Ana Luzia de Simoni
Cenário: Mina Quental
Figurino: Sol Azulay
Caracterização: Josef Chasilew
Direção Musical: Felipe Storino
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Foto e Vídeos: Elisa Mendes
Produção Executiva: Luísa Barros
Assistente de Produção: Junior Dantas
Realização: Eu + Ela
Produção: Fábrica de Eventos | Um projeto da Cia OmondÉ
Realização em Belo Horizonte: Teatro em Movimento, com patrocínio da Rede via Lei Federal de Incentivo à Cultura.