Saudades de Renato e de Cazuza …

11.abr.2016

Relutei muito em começar este blog. Sabia que seria um fracasso, em função da condição inerente à frequência nas redes sociais – e à exposição. Nada a esconder mas tampouco a mostrar. No entanto, cedi.

Para comentar sobre o que? Pensei.

Quem sou eu pra dizer algo que seja bom para os outros?

Isso, as vezes me impede de continuar o contato por aqui com vocês. Se é que existe alguém aí.

Mas esses dias vivi curiosamente uma insônia relativa ao posicionamento de pessoas no tal Face. Percebi que crueldade e covardia são aceitas normalmente neste ambiente.

Há alguns anos, trago a Belo Horizonte espetáculos teatrais que ficam na capital por curtas temporadas.

Ao longo de quinze anos, aprendi muito, e aprendi a primar pela qualidade da programação do “Teatro em Movimento”, projeto que idealizei e coordeno, na empresa que dirijo, a Rubim Produções.

Mas, nestes tempos bizarros, do pior exemplo de política, pessoas ousam assumir lados ou partidos. E, por conta disso, sentem-se à vontade para atacar impropriamente pessoas que se dedicaram uma vida inteira à sua profissão, que culmina em respeito e reconhecimento. Falo de Marieta Severo. Poderia falar de Letícia Sabatella, considerando a relevância trazida pelo tempo e a diferença em suas gerações.

Dizer isso significa ser “petralha”? Acusar isso indica que sou “coxinha”? Jamais!

Atrás da nossa ação em produzir teatro poderia até ter algum sentido partidário. Mas não tem. Há sim um interesse declarado em inserir na programação de 15 anos o teatro político, que sensibiliza as pessoas e suplica: acordem!

Quanto mais passa o tempo, vejo a real necessidade do fazer teatral em nossa sociedade, que tende ao embrutecimento ou à estupidez ao atacar uma atriz, em seu trabalho, de modo respeitoso e no âmbito pessoal, pelo simples fato dela ter opção política diferenciada do animal raivoso. É assim que vejo o bicho homem. Embrutecido pela estupidez.

E porque isso acontece? Porque com a nossa estupidez inventamos um espaço de expressão, que poderia ser construtivo mas se empenha em destruir. Porém, por meio da covardia que infelizmente a legislação brasileira permite. É nele que ataques descabidos acontecem com uma sordidez incompreensível. Afinal, são homens e mulheres. Ocupados ou desocupados, não importa. São machos e fêmeas e afins que mal imaginam o ridículo que passam. No entanto, isso pode ser transmitido de modo epidêmico, assim como a Dengue, aos seus próprios filhos. Ou aos nossos filhos e filhas.

Quem permitiu ser assim? Os que vão para as ruas manifestar, por um lado ou pelo outro, com a boca espumando ódio ? E, ao mesmo tempo, essa odiosa pede respeito e grita “fora corrupção” ou discute sobre ética, transformação.

“Que Pais é Esse? Ideologia, eu quero uma pra viver.” Lembro dessas canções se me sinto um plâncton.